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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Brasilienses gastam até R$ 3 mil por mês para manter corpo sarado

Além da mensalidade da academia, valor inclui nutricionista, personal trainer e suplementos
De acordo com Fernanda Coutinho, tem meses em que ela gasta além de R$ 2 mil para manter a boa forma

A estudante e massagista Fernanda Vieira Coutinho, de 26 anos, que mora no Lago Sul, região administrativa do Distrito Federal, avalia que o investimento no corpo vale a pena. Ela gasta em torno de R$ 2 mil por mês, para manter o corpo como deseja.  

   — Juntando tudo dá mais ou menos isso. Às vezes gasto até mais. Tem academia para pagar, que não é barata, suplementos, roupas, nutricionista e personal trainer. Acredito que uma pessoa que tenha um corpo bonito tem chances de ser notada.       

Fernanda também explica que todos os dias levanta cedo, come um pão integral com queijo, toma um copo de suco e vai malhar.      

— Vale a pena investir porque ao mesmo tempo em que eu fico com o corpo que quero, também cuido da saúde. Ou seja, gasto agora e evito ter problemas no futuro.       
Segundo o personal trainer e nutricionista Bruno Fischer, os gastos para manter um corpo saudável não são baixos. As consultas com nutricionistas em Brasília variam de R$ 250 a R$ 400. Além desse gasto, os alunos também se preocupam em ter um personal para acompanhá-los diariamente.

— Com esses profissionais, as pessoas gastam cerca de R$ 100 a hora aula. Ou seja, se você malhar três vezes por semana, terá de desembolsar por mês R$ 1,2 mil. Sem falar nas mensalidades das academias, que ficam em torno de R$ 300 a R$ 600.  
  
A arquiteta Carolina Nathair Santos, de 34 anos, gasta quase R$ 3 mil por mês, pois não consegue malhar sem um personal trainer devido a um problema que ela tem na coluna.  
  
— Ele me ajuda e me motiva. Sei que esse gasto não é em vão e vale a pena. Principalmente quando você quer ter um corpo bacana e evitar problemas de saúde. Tenho a sorte também de ter uma mãe vegetariana. Com isso, aprendi desde cedo a cuidar da minha alimentação.

Outro personal trainer que afirmou não ser barato ter um corpo dos "sonhos" é Michel Santos Silva, que trabalha há oito anos na profissão. Ele explica que existem personais trainers que chegam a cobrar até R$ 160 a hora-aula. 

— Teve tempos em que eu cobrava R$ 110, quando alunos me contratavam para acompanhá-los em academias onde eu não atendia. Esses valores variam muito e depende do profissional.
 
Em Brasília, existem academias sofisticadas que oferecem um leque de modalidades aos alunos. Como musculação, boxe, jump, mat pilates, running class, step e outros. Uma delas é a Unique, localizada em um shopping do Guará, região administrativa do DF. O preço da mensalidade nessa unidade, assim como em outras, vai de R$ 279 a quase R$ 600. De acordo com a gerente de vendas da Unique, Lina Guedes, a diferença está no plano escolhido pelo cliente.    
 
— O plano mensal tem um preço e o anual tem outro. O bom é que aqui nós temos muitos professores que acompanham os alunos. Além disso, nossos pacotes são variados e o cliente fazem todas as aulas que desejar. Sem falar no nosso espaço que é grande e tem estrutura de primeira.     

Outra academia também conceituada em Brasília é a Body Tech, que possui três unidades no Centro-Oeste. De acordo com o gerente regional da academia, Bernardo Rosse, o que diferencia o estabelecimento dos concorrentes é que suas atividades são das mais modernas que existe no mercado e seus equipamentos são de última geração.     

— Nossas aulas têm um conceito mais atual de atividades funcionais. E nosso preço está nessa média das outras academias. Nosso ticket médio é de R$ 350.    

Além dessas duas unidades para musculação, outras, como a Companhia Athletica e a Vip Training, ambas localizadas no Lago Sul, região administrativa do DF, também têm um preço mais elevado e oferecem serviços diferenciados.     

Em relação aos suplementos, o dono da loja Pump Suplementos, na Asa Norte, área central de Brasília, Cayo Costa, diz que vende em média R$ 500 por dia e que os produtos que mais saem são o Whey Protein, que serve para o ganho de massa magra, e o BCAA, que ajuda na recuperação muscular.     

— Meus clientes gastam em torno de R$ 300 por mês. Mas eu já tive clientes que chegaram a pagar R$ 1,1 mil por mês.     

Academias mais baratas    

Nem todos os brasilienses, no entanto, estão dispostos a pagar caro pelas academias. Este é o caso da dona de casa Letícia Batista Ferreira, de 24 anos, que opta por um local mais em conta para malhar. Letícia paga uma mensalidade de R$ 60 reais em uma unidade de musculação que existe em Sobradinho, região administrativa do DF.     

— Eu acho muito caro uma mensalidade de R$ 300. Batalho para pagar a minha, que nem é tão cara. Independentemente se você paga uma academia top ou simples, você tem de ter disciplina na hora da alimentação. Não adiante malhar em uma [academia] cara se você não se cuidar.     

Em outra unidade de musculação com o preço mais acessível, como na Academia Halteres, localizada na Asa Norte, área central de Brasília, o valor da mensalidade varia de R$ 49,90 a R$ 79,90. Já, na Academia Cia do Físico, em Sobradinho 2, região administrativa do DF, a mensalidade é de R$ 80 no primeiro mês e R$ 60 nos outros.  
Atualmente existem 541 empresas registradas no Conselho Regional de Educação Física que exploram as atividades físicas. Dentre elas, estão as academias e os clubes.   

terça-feira, 23 de abril de 2013

Executivos usam o esporte para dar um salto na carreira


Pesquisa aponta interesse de empresários em usar o tempo extra para cuidar da saúde

Há poucas semanas, a advogada Renata Gouveia decidiu arranjar um espacinho na agenda atribulada para a prática de atividades físicas e optou pela corrida em grupo. Mas não entrou para uma equipe qualquer. Formada por executivos do mercado financeiro e por empresários que querem melhorar não apenas o condicionamento físico mas também cuidar da saúde dos negócios, a ideia é que o esporte alie lazer e networking.
“Eu já queria fazer corrida e, em São Paulo, tem grupo de todos os tipos. No entanto, este permite que eu tenha contato com profissionais de outras áreas e de outras empresas”, diz a sócia do escritório Gouveia Zakka. Renata conta ainda que já foi contatada por colegas da equipe de corrida que precisavam de consultas jurídicas. “Ainda não viraram clientes, mas é o primeiro passo”, diz.
De acordo com pesquisa realizada pela Hibou, que faz monitoramento de mercado e consumo, 71% dos 389 entrevistados consultados acham positiva a prática de exercício físico aliada ao perfil profissional. Deste total, 13% acreditam que desta forma podem fazer novos contatos de trabalho e veem afinidade nos assuntos, além de destacarem a facilidade de entrosamento.
Wikimedia Commons/Josiah Mackenzie
Corrida foi a atividade escolhida pela advogada Renata Gouveia
Apenas 3% dos executivos ouvidos consideram inadequada essa prática — uns dizem que preferem se desligar totalmente do ambiente profissional quando fazem atividades físicas, enquanto outros afirmam que não se sentem confortáveis em misturar as duas coisas.
No caso do escritório Gouveia Zakka, não é apenas a sócia que integrou a equipe de corrida: os funcionários também entraram para o grupo. “Fizemos o pacote corporativo e os benefícios são vários. Além de ser mais barato do que se cada um pagasse individualmente pela atividade, o retorno é muito positivo.
As pessoas estão mais estimuladas e o esporte permitiu que ficassem mais unidas”, conta. “Além disso, tem uma sensação de dever cumprido toda vez que venço a preguiça e vou correr. Não só pelos benefícios com a saúde mas também por causa do lado profissional”, destaca.
Já Luciano Montenegro de Menezes teve uma oportunidade na carreira por causa do esporte. No ano seguinte aos atentados de 11 de setembro de 2001, o então executivo da Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) organizou uma corrida em homenagem aos mortos na tragédia. O circuito passava pelo complexo do World Trade Center (WTC), em São Paulo, e foi na ocasião que conheceu o vice-presidente do grupo.
“Dez anos depois, fui convidado a asumir a presidência do empreendimento”, conta. “Correr permite um laço muito maior do que uma simples troca de cartões em coquetéis. Corro com executivos de bancos e empresários”, acrescenta.
Foi durante um dos treinos que o executivo percebeu que deveria dedicar mais atenção ao Facebook. “Pratico corrida com um dos diretores da rede social e ele me deu umas dicas. Com isso, conseguimos aumentar em dez vezes o número de fãs do shopping D&D.”
Reinaldo Passadori, do Instituto que leva o seu sobrenome, alerta, no entanto, para a postura do profissional nesses momentos de lazer. “Muitas vezes, as pessoas extrapolam, esquecem que representam uma empresa”, alerta. “Em festas, evite beber muito, porque isso pode fazer com que fale além do que deveria. Em caso de viagens corporativas, não se atrase para os compromissos e não fale mal dos colegas e da empresa”.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Excesso de exercício é tão prejudicial quanto sedentarismo, diz estudo


Segredo para aumentar a longevidade é praticar exercícios moderados

Inúmeros estudos já comprovaram que praticar exercícios físicos é um dos segredos para aumentar a longevidade. Mas tudo tem limite. Isso porque treinar em excesso, o chamadoovertrainig, pode ser tão prejudicial quanto o sedentarismo. É o que mostra uma pesquisa publicada em 29 de novembro no periódico Heart, do grupo British Medical Journal (BMJ).
Segundo os autores, que faziam parte do Saint Luke's Mid America Heart Institute e da University of Queensland School of Medicine, nos Estados Unidos, embora o treino regular seja benéfico, o exagero pode torná-lo mais prejudicial. Recomenda-se, portanto, realizar exercícios vigorosos por 30 a 50 minutos ao dia. Exceder esse limite ocasiona, sobretudo, problemas ao coração.
Para ilustrar tal efeito, os especialistas usaram um estudo apresentado em maio na Sociedade Europeia de Cardiologia, na Irlanda. Após acompanhar 52.600 pessoas durante 30 anos, eles descobriram que os voluntários que corriam tinham um risco 19% menor de morrer nesse período do que aqueles que não praticavam a atividade. A média, entretanto, escondia um dado muito importante: aqueles que corriam de dez a 30 quilômetros por semana apresentaram um risco 25% menor de mortalidade, enquanto que os que corriam entre 30 e 40 quilômetros não apresentaram qualquer vantagem sobre os sedentários.
Os resultados exemplificam a chamada "curva em U", em que uma ponta representa o overtraining e a outra o sedentarismo. A base ou meio termo, por sua vez, mostra o ponto em que o indivíduo mais se beneficiaria. Por isso, mesmo quem se submete a provas de exercícios vigorosos deve tentar levar um treino mais leve nos demais dias do ano.

Seu treino é eficaz ou só pesado?

Mais disposição, corpo em forma e melhora da postura são apenas alguns dos primeiros benefícios que a prática de exercícios revela. Com o tempo, entretanto, é normal querer aumentar a carga, esticar a distância e traçar novas metas. Mas será que você não está exagerando? Veja alguns sinais de que seu treino está excessivamente pesado:
1. Frequência cardíacaA frequência cardíaca ideal deve obedecer a seguinte fórmula: 65% a 85% de 210 - a sua idade. Ela comprova que o organismo está promovendo a queima de gordura de forma saudável.
2. Fôlego
Perder o fôlego durante o exercício significa que você submeteu seu corpo a uma intensidade de exercícios acima do que ele é capaz de aguentar. Neste caso, diminua o ritmo até recuperar a respiração normal. Evite a parada brusca da atividade.
3. Dor
Sentir dores musculares após o treino é normal, principalmente nos primeiros dias de atividade. Entretanto, voltar para casa com dificuldade de se locomover ou sentir necessidade de tomar medicamentos para amenizar a dor indicam problemas.
4. Frequência
Dê tempo para o seu corpo descansar. Repita seu treino apenas 24h depois do anterior. Mesmo os treinos aeróbios precisam desse intervalo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

No fim do ano, adapte a rotina mas não pare com os exercícios


Em vez de se impor metas, faça o suficiente para manter o que já conquistou ao longo do ano. Veja as dicas

Manter uma rotina de exercícios nem sempre é fácil, mas as comilanças de fim de ano, o aumento do consumo de álcool e o convívio com familiares e parentes pode tornar tudo ainda mais complicado. Falta tempo, o corpo e a mente estão cansados e ainda por cima os eventos e reuniões de confraternização são múltiplos.
Em vez de parar com tudo e voltar à ativa só no ano que vem, a orientação dos especialistas é: organize este período do ano para adaptar a rotina e assim não bagunçá-la de vez.
“Considere o período de festas como um momento para manter o que já foi conquistado, e não como um tempo para definir novas metas ou ser ambicioso”, sugere Shirley Archer, instrutora de fitness e autora de diversos livros sobre o tema.
“Pesquisas mostram que é possível realizar um treino eficaz de força em cerca de 15 minutos. Não é o ideal para desenvolver musculatura e força ao longo do tempo, mas é suficiente para manter o que você já conquistou”.
Um treino cardiorrespiratório curto também pode ajudar a contrapor os excessos típicos do período. Danielle Hopkins, instrutora do centro de fitness Equinox, de Nova York (EUA), sempre diz aos alunos preocupados com ganhar peso no fim do ano para tentarem fazer alguma atividade que os faça suar por pelo menos 20 minutos diariamente.
“Reforço neles a importância de manter uma rotina mínima, e não excluir o exercício da agenda”, diz Hopkins, lembrando que exagerar no consumo de álcool pode dificultar a ida à academia no dia seguinte.
“Reserve um tempinho, ainda que seja pouco. Não é difícil: se você está viajando, leve os tênis de corrida, pule corda, visite a academia do hotel ou procure por uma perto de onde está hospedado”.
E tenha certeza de que uma noite de excessos não vai necessariamente destruir um ano inteiro de trabalho.
“Qualquer dieta tem um espaço de manobra. Mas é preciso ser estratégico sobre o que você vai se permitir. Coma pouco de tudo”.
Se você é do tipo esforçado, que passa o tempo todo evitando as tentações das festas de fim de ano, esqueça: fazer isso é cansativo e, no final, insustentável, afirma Gregory Chertok, psicólogo do esporte do Colégio Americano de Medicina do Esporte.
Para Chertok, diante das tensões que acompanham os feriados – e isso inclui desde família até as escolhas alimentares – uma simples mudança de atitude pode produzir resultados poderosos.
“Aceite o desafio, em vez de evitar a tentação. Do contrário, ao longo do tempo a tarefa pode ficar cansativa. Assim como nossos músculos físicos, nossos ‘músculos mentais’ ficam exaustos. Força de vontade requer reabastecimento.”
Estudos recentes mostram que, diante do esforço para controlar o próprio impulso de comer algo, as pessoas acabam depletadas de força de vontade.
“Para manter a força de vontade em níveis apropriados, fique longe de dietas extremamente restritivas, coma pouco e frequentemente e planeje quando e o que vai consumir sempre que decidir se permitir alguma pequena extravagância”, acrescenta o psicólogo.
Cercar-se de pessoas com hábitos saudáveis e peso semelhante também pode ajudar, completa Chertok: “Somos altamente influenciados pelo comportamento do outros”.
O psicólogo conta que encoraja seus pacientes a se permitirem escapadas ocasionais. Segundo ele, ser capaz de se autoperdoar e ter autocompaixão são ingredientes que ajudam no sucesso de qualquer empreitada.
“Pessoas que se estabelecem metas rigorosas se autopunem e se autocriticam. Isso não permite um alto desempenho nem uma boa autoestima. Como seres humanos, cuidamos de nós mesmos quando nos sentimos dignos de autocuidado.”
Para a treinadora americana Tracy Anderson, ser consistente é o segredo. Mas ela lembra: ceder um pouquinho uma vez por ano não é um comportamento prejudicial, ao contrário.
“Aproveitar as festas alimenta a alma e isso ajuda a aliviar o estresse. Meu conselho é: elimine a palavra dieta do vocabulário uns três dias antes e depois das festas”.
“Logo a rotina volta ao normal e você poderá voltar a malhar, com ânimo renovado, mais comprometimento e entusiasmo”, completa Shirley.



domingo, 29 de abril de 2012

A força do pilates


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No mundo do fitness, a explosão de novas modalidades é uma constante. Mas, normalmente, com a mesma velocidade com que surgem, elas desaparecem após poucos meses. Quando resistem, tornam-se aqueles fenômenos que mudam a história da malhação e a maneira como enxergamos a atividade física. Foi assim com o surgimento da aeróbica, com a expansão da musculação e assim está sendo com o Pilates. Criado pelo alemão Joseph Pilates durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o método rapidamente caiu no gosto dos bailarinos, que o usavam como complemento ao treino. Mas foi só a partir da década de 90 que se popularizou, atraindo milhares de adeptos em todo o mundo e tornando-se a maior revolução do fitness dos últimos anos. Só nos Estados Unidos, primeiro país a receber um estúdio com aulas da modalidade (ministradas pelo próprio Pilates em Nova York), estima-se que cerca de dez milhões de pessoas o pratiquem. No Brasil, não há dados precisos, mas o crescimento pode ser observado pela grande quantidade de estúdios e de pessoas que se confessam fãs do Pilates. “A rápida percepção dos resultados incentiva cada vez mais gente a aderir à técnica”, analisa a fisioterapeuta Solaine Perini, presidente da Associação Brasileira de Pilates. “Isso faz dele o método de condicionamento físico que mais ganha adeptos no mundo.”

As razões para se buscar o Pilates são as mais variadas. Há desde os desejosos de esculpir o corpo (inspirados por celebridades como a cantora Madonna, que credita parte de sua boa forma à técnica) até os interessados em exercícios capazes de ajudar na prevenção ou na recuperação de problemas como dores e lesões. Como anseios tão diferentes cabem dentro de um mesmo método? “Pilates se preocupou em criar uma técnica que trabalha a saúde como um todo”, considera Inelia Garcia, uma das primeiras instrutoras do método no Brasil e hoje dona de um império com mais de 47 estúdios e dez mil alunos espalhados por todo o País. “O corpo torna-se mais forte, flexível e resistente”, diz. “Na parte mental, os exercícios melhoram a concentração e a memória. E o trabalho com a respiração ajuda no controle das emoções”, completa.
 
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A abrangência das lições deixadas por Pilates chama mesmo a atenção. Vem de uma preocupação constante que guiou o seu trabalho: imprimir ciência à técnica. Toda a metodologia de Pilates parte do conceito de “centro de força” (ou power house). O termo, por ele criado, define a região central do corpo humano. “São os músculos da coluna, do quadril, das coxas e do entorno do abdome”, diz Aline Haas, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e instrutora certificada pela Pilates Method Alliance, dos Estados Unidos. “Eles são os flexores e extensores da coluna e do quadril e estão na musculatura profunda da pelve.” De acordo com os princípios preconizados por Pilates, fortalecer essa região é a melhor maneira de garantir uma boa sustentação para o corpo humano.
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RECEITA
Lech é um dos médicos que indicam a prática aos pacientes
Ao compreender o trabalho muscular realizado durante os movimentos, Pilates criou exercícios e aparelhos capazes de estimular os músculos, inclusive os mais profundos e em geral pouco acionados no cotidiano. Os resultados são tão impressionantes que têm ocupado o tempo dos cientistas. Parte deles está especialmente interessada em levantar mais do que transformações corporais que o método pode proporcionar. Querem conhecer as suas possíveis indicações terapêuticas. 

E o que se descobriu até agora é alentador. Um exemplo: trabalhos demonstram que a técnica pode ser eficaz para a redução das dores, com efeitos animadores em casos de dor lombar e de fibromialgia (dor crônica sem origem aparente, mais comum em mulheres, e sentida em vários pontos do corpo). Um dos estudos pioneiros foi feito no Departamento de Medicina do Esporte e Reabilitação do Instituto Ortopédico Gaetano Pini, na Itália. Os pesquisadores recrutaram 43 pacientes com dor lombar. Parte deles fez Pilates, enquanto os demais foram submetidos ao tratamento da Escola da Coluna (método fisioterapêutico criado na década de 60). Ao fim de dez dias, quem praticou Pilates teve ganhos similares aos da fisioterapia tradicional, mas com uma vantagem: estava muito mais contente. Entre os que tiveram aula de Pilates, 61% declararam-se muito satisfeitos com a terapia, contra 4,5% entre os que foram submetidos à outra técnica.
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RECURSO 
Simone, do hospital Albert Einstein (SP),
usa a técnica na reabilitação de lesões
Corrobora com o trabalho italiano a revisão proposta pelo fisioterapeuta Edward Lim, do Hospital Geral de Cingapura – a primeira sobre o tema. Lim reuniu sete pesquisas de diversas partes do mundo. Todas sobre o efeito do Pilates em pacientes com dores na parte inferior da coluna. A conclusão: o método é realmente válido para tratar o problema. “Mas os exercícios precisam ser estruturados para atender aos variados quadros clínicos dos pacientes”, disse Lim à ISTOÉ.

Como o que ocorre com a dor lombar, o uso da técnica para casos de fibromialgia também vem ganhando respaldo científico. Em especial após a divulgação dos primeiros resultados de uma pesquisa realizada na Universidade de Uludag, na Turquia. A equipe acompanhou 50 voluntárias durante 12 semanas. Divididas em dois grupos, metade das mulheres frequentou aulas de Pilates e as demais foram orientadas a praticar exercícios de relaxamento e alongamento em casa. Enquanto o primeiro grupo relatou melhoras significativas na dor, o segundo teve alterações positivas bem pequenas.
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CLÍNICA
No Hospital Brasil (SP), a fisioterapeuta Marta atende pacientes indicados por médicos
As comprovações têm encorajado médicos a indicar a técnica a seus pacientes. “É um recurso muito útil, em especial nos casos de dor nas costas sem causa específica”, afirma o traumatologista e ortopedista Alberto Mendes, de São Paulo. “Além do alongamento e do equilíbrio postural, o Pilates faz um trabalho de fortalecimento muscular muito positivo, pois ajuda na sustentação da coluna”, diz o médico. O reconhecimento da importância do método também pode ser medido por sua incorporação pela fisioterapia. “Temos uma resolução que ampara o fisioterapeuta no uso do Pilates como recurso terapêutico”, diz Wiron Correia Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Fisioterapia. 

A chave para entender esses benefícios está em um dos fundamentos preconizados pelo alemão Pilates: o equilíbrio. “Quando as cadeias musculares estão em equilíbrio, há redução da dor”, explica Osvandré Lech, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia, que também indica o método. Pessoas em busca de redução da dor já formam um grupo comum nos estúdios. “Em 80% dos casos, nossos alunos vêm com esse objetivo”, conta Juliana Takiishi, coordenadora de Pilates do Centro de Bem-Estar Levitas, em São Paulo. Parte deles chega às aulas por conta própria. A outra, por recomendação médica.
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O fluxo de pacientes dos consultórios para os estúdios tem inspirado outra tendência: a oferta de Pilates dentro dos próprios hospitais. Na Clínica Mayo, centro de referência médica mundial, localizada nos Estados Unidos, o interesse nos benefícios que a técnica pode oferecer a pessoas doentes é tão grande que a instituição está realizando uma pesquisa para delinear melhor os ganhos obtidos. “Há um grande número de pessoas que tiveram câncer aderindo ao método”, informa a médica Daniela Stan, da instituição americana. A pesquisadora está concluindo um estudo com 15 mulheres, previsto para ser publicado no início de 2012. Durante três meses, as voluntárias participaram de aulas na instituição sob os olhos atentos de Daniela. “Há melhoria dos movimentos no lado do corpo afetado pela doença, assim como maior flexibilidade”, disse à ISTOÉ. “Também notamos melhora no humor e na satisfação com o corpo.”

Outra instituição a oferecer aulas é o prestigiado M. D. Anderson Cancer Center, também nos Estados Unidos. Por lá, pacientes que têm ou tiveram tumor de mama podem usufruir de uma aula por semana, indicada para ajudar no controle dos sintomas, como dor e fadiga. Na Suny Upstate Medical University, em Siracusa (EUA), as indicações são mais amplas. “Usamos para ajudar na reabilitação de pessoas com problemas músculo-esqueléticos”, contou à ISTOÉ Karen Kemmis, fisiologista do exercício e responsável pelo serviço. “Se alguém, por exemplo, sofre com dor no ombro e minha avaliação mostra que essa pessoa não tem um bom controle do movimento nessa região, usamos o Pilates para melhorar os padrões de movimento, prevenindo a ocorrência de mais prejuízos na área”, explicou.

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No centro americano, o método é utilizado ainda para auxiliar na reabilitação de portadores de doenças neurológicas. “Entre eles estão indivíduos com doença de Parkinson e que sofreram acidente vascular cerebral”, contou Karen. Nesses casos, além de contribuir para a melhora de movimentos prejudicados, estimula a habilidade de concentração.
A tendência de implementar estúdios em hospitais já começa a ser vista também por aqui. Exemplos são os hospitais Brasil, Integrante da Rede D’Or, e Albert Einstein, ambos em São Paulo. “Usamos como continuidade do tratamento ortopédico em pacientes que tiveram alta”, explica a fisioterapeuta Simone Przewalla, do Albert Einstein.
A instituição atende em média 20 pessoas por mês. “É uma atividade segura, que preserva bastante as articulações”, acrescenta Simone. A equipe responsável pelas aulas é formada apenas por fisioterapeutas. E o cuidado é intenso. “O médico nos manda uma carta dizendo o que o paciente tem, o que ele não pode fazer e quais objetivos devem ser atingidos”, diz a fisioterapeuta Marta Cordeiro Pereira, do Hospital Brasil. No Rio de Janeiro, a técnica está na lista das atividades sugeridas pela Clínica Cardiomex, coordenada por médicos especializados em medicina do esporte e cardiologia. “Entre outros benefícios, o Pilates reduz o estresse”, diz a cardiologista Isa Bragança.

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Mas não só o uso clínico do método tem merecido atenção dos cientistas. Responder a perguntas ainda não esclarecidas na área do fitness também é objeto frequente das pesquisas. Quem busca o Pilates apenas como uma forma de malhação vê na prática um modo de ganhar força e flexibilidade. E, claro, melhorar a definição da área abdominal. Mas será que isso pode mesmo ser atingido? De acordo com os pesquisadores que têm se dedicado a estudar a prática, sim. E a boa notícia é que os resultados aparecem pouco depois das primeiras aulas. Foi a conclusão à qual chegaram pesquisadores do Centro de Saúde da Turquia. Ao acompanhar um grupo de 38 mulheres sedentárias, eles perceberam que cinco semanas após o início das aulas o corpo já respondia aos estímulos dados pelos exercícios. Nas 21 voluntárias submetidas à técnica houve aumento da força nos músculos abdominais e melhora na flexibilidade. Pesquisa semelhante realizada na Universidade do Estado do Colorado (EUA) constatou esses mesmos ganhos entre voluntários de meia-idade. “E os benefícios foram percebidos com a prática de exercícios de intensidade relativamente baixa, que podem ser realizados sem aparelhos”, anotou no estudo June Kloubec, coordenadora do trabalho.
Mas há o outro lado da moeda. Após testes realizados para o Colégio Americano de Medicina do Esporte pela pesquisadora Michele Olson, da Universidade de Auburn, no Alabama (EUA), acendeu-se o alerta vermelho para a crença de que o Pilates pode ser usado como método de emagrecimento por si só. O que Michele constatou foi que a queima calórica das aulas da modalidade é baixa. No nível básico, uma hora de Pilates equivale a menos de 200 calorias. “Pilates é um treino de força e resistência”, disse Michele à ISTOÉ. “Se a pessoa quer queimar calorias, o melhor é praticar corrida ou spinning”, acrescentou. Isso não significa dizer, porém, que é preciso trocar o estúdio pelo tênis. O Pilates pode ajudar a emagrecer. “Ao começar a praticar, o aluno percebe mudanças positivas no corpo, como força, alinhamento postural, menos dores”, diz a fisioterapeuta Kátia Pinho, do Studio Airmid, de São Paulo. “Sua autoestima aumenta muito, o que é fundamental para iniciar um programa de emagrecimento.”
Além disso, ele contribui para manter o peso. O trabalho muscular aumenta a massa magra no corpo que, por sua vez, potencializa o consumo calórico do organismo. Na prática, quer dizer que ganhar músculos (e para isso o Pilates é muito válido) aumenta a quantidade de calorias consumidas pelo corpo para manter-se, pois as células musculares gastam mais energia para funcionar do que as células de gordura. Mais uma das qualidades do Pilates.

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domingo, 22 de abril de 2012

Musa fisiculturista revela: mantém corpo perfeito sem abdominais


Nathalia Melo conta que exercício não é necessário para a boa forma e que o segredo está em controlar a alimentação para evitar gordura localizada

  A brasileira Nathalia Melo conquistou o segundo lugar na competição Arnold Classic de fisiculturismo no ano passado. Dona de um corpo perfeito, a musa revela um segredo para quem quiser se manter em forma: a quantidade de abdominais não é importante. Nathalia afirma que não faz o exercício e que o fundamental é ter uma boa alimentação para evitar a formação de gordura localizada.
- Esse é um erro que muita gente comete, que vai fazer mil abdominais e vai ficar com barriga de tanquinho. Qualquer exercício que você faz, você está sempre usando o seu abdômen, para manter seu corpo em pé. O mais importante é fechar a boca. Se não fechar a boca, não vai ter barriga de tanquinho. Se você não come direito, vai formar uma camada de gordura na frente do músculo - disse Nathalia, em entrevista ao "Expresso do Esporte".
Outra dica da fisiculturista para acabar com o excesso de gordura no corpo é fazer uma grande variedade de exercícios em pequenos intervalos, com pausas muito curtas.
- Se você faz muitas vezes o mesmo exercício, seu corpo se acostuma e o resultado não aparece. Você tem que variar sempre. É uma divisão complicada. Se você ganha muito músculo, perde pontos. Mas também não pode ficar muito magrela. O meu treino é muito rápido. Eu saio de uma máquina e vou para outra logo. Descanso por 30 seugndos e recomeço tudo de novo. Eu tenho que manter os batimentos cardíacos acelerados, porque isso ajuda a perder gordura.
Nathalia Melo - fisiculturista (2) (Foto: Divulgação)Nathalia Melo mantém abdômen perfeito sem exercício específico (Foto: Divulgação)
Na competição de fisiculturismo, o corpo não é o único critério de avaliação. Como em um concurso de miss, o comportamento e a elegância também pesam na decisão.
- O que conta não é só o corpo. Mas é um conjunto de cabelo, maquiagem, como você anda, como você se comporta, como você se apresenta e também o bronzeamento.